Mudanças necessárias para a sobrevivência de sindicatos dão o tom no segundo dia do CNSE

As recentes mudanças na reforma trabalhista, com as alterações na arrecadação da contribuição sindical e os impactos para os sindicatos empresariais, foram os principais temas discutidos durante o segundo dia do 34º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais do Comércio de Bens e Serviços (CNSE), realizado no Centro de Convenções de Bonito-MS. O Congresso teve início na quarta-feira (23) e segue até esta sexta-feira (25).

Durante as palestras e debates ao longo do dia, empresários, técnicos e representantes sindicais abordaram o fim da contribuição obrigatória e o reflexo na arrecadação, o que leva as entidades a trabalhar de forma cada vez mais eficaz as convenções coletivas, que são o principal produto dos sindicatos. A sobrevivência no atual cenário passa por um trabalho intensivo de conscientização empresarial.

Para o consultor em gestão da Gaudium Consultoria, Alberto Pereira Gaspar, produtos e serviços são boas opções para enfrentar o problema, mas não as únicas, um fator importante é a reorganização. “Para oferecer produtos e serviços é preciso conhecer bem a base e ter bem definida a sua missão, porque você pode acabar prestando um serviço que não tem muito a ver com a sua atuação. Tendo esses cuidados é um belo caminho a ser trilhado. A reorganização também é fundamental, tanto a estatutária quanto a administrativa, porque com mais representatividade da categoria, mais melhoria da base, é possível prestar um serviço melhor”, explica.

Lidiane Nogueira, advogada da Divisão Sindical da Confederação Nacional do Comércio (CNC), falou da importância das entidades sindicais se reinventarem neste momento. “Houve uma queda de quase 80% nas arrecadações, em todo o País, por isso precisamos criar novas formas para o custeio sindical. A nossa meta deve ser a autossustentação, buscando recursos próprios, adotando a postura de sindicato-empresa. Precisamos fazer pesquisas para atender bem a categoria e focar na defesa de um ambiente de negócios favorável à competitividade do comércio de bens, serviços e turismo e ao País”, afirma.

Palestra – Falando de assuntos sérios de forma bem humorada, o escritor José Luiz Tejon Megido abordou as novas demandas para liderar num mundo de mudanças. Referência nas áreas de gestão de vendas, marketing, liderança e superação humana, ele iniciou com um alerta: “O poder do incômodo é o poder que nos movimenta”. A formação de lideranças foi outro ponto forte da palestra. “Precisamos aumentar a competência para diminuir o nível de entropia das organizações”.

Tejon ressaltou que este é o momento certo para que os sindicatos patronais tomem a liderança da sociedade organizada. “Um encontro como esse pode significar o começo de revolução pela paz, para que se crie planos estruturantes de governo. Está na hora dás entidades assumirem a co-governança do País”.

Comissões – Em pequenos grupos, vários temas foram discutidos nas Comissões Temáticas, que abordaram o Comércio de Rua, Shopping Center, Negociação Coletiva, Assessoria Parlamentar e Gestão Sindical nos Novos Tempos. A empresária Daiana Doraci, proprietária da loja Nice, em Campo Grande, compartilhou sua experiência com os empresários e sindicalistas durante as discussões. A loja, que é sucesso na Capital, tem quase 40 anos e começou com um empreendimento familiar. Hoje, a Nice faz sucesso nas redes sociais com peças e acessórios acessíveis ao consumidor e já se tornou um case de sucesso, com venda de 25 mil peças de roupas semanalmente.

34º CNSE – O Congresso traz importantes nomes para debater temas que permeiam o comércio de rua, shoppings, novas propostas de processo em gestão para sindicatos patronais, por meio de cases dos grupos de trabalho, durante os três dias de encontro. Nesta sexta-feira, às 11h, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Douglas Alencar Rodrigues, faz a palestra magna “Aspectos Constitucionais da Reforma Trabalhista”.

Presidentes de Sindicatos Empresariais e de Federações do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de todo o País participam de intensa programação técnica, com palestras e debates, tendo como tema central “Sindicalismo Pós-reforma Trabalhista – Novos Desafios”.

O Congresso é uma realização do Sindivarejo Campo Grande, com o apoio da Fecomércio-MS, Sesc, Senac, CNC e patrocínio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e do Sebrae.